{"id":6133,"date":"2023-07-10T14:33:08","date_gmt":"2023-07-10T17:33:08","guid":{"rendered":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/?p=6133"},"modified":"2023-07-10T14:33:47","modified_gmt":"2023-07-10T17:33:47","slug":"goncalves-dias-e-o-imperador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/goncalves-dias-e-o-imperador\/","title":{"rendered":"GON\u00c7ALVES DIAS E O IMPERADOR"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/ocupantes\/daniel_blume\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/ocupantes\/daniel_blume\/\">Daniel Blume<\/a>, Cadeira n. 15 da Academia Maranhense de Letras<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro passar de olhos, o texto pode parecer estranho. Afinal, por que falar da rela\u00e7\u00e3o entre Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Dias e Dom Pedro II? O que tem a ver um poeta rom\u00e2ntico com um monarca sul-americano? Conv\u00e9m misturar governo imperial com literatura brasileira? S\u00e3o v\u00e1rias as premissas da mera vis\u00e3o do t\u00edtulo como posto. Contudo, outros estranhamentos talvez eclodam no decorrer dos fatos curiosos aqui expostos e algumas de suas poss\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que, realmente, algum dia, o poeta privou com o imperador? N\u00e3o seria este um encontro improv\u00e1vel, haja vista a estratifica\u00e7\u00e3o social existente no pa\u00eds, especialmente h\u00e1 dois s\u00e9culos, num ambiente escravocrata? Havia, ent\u00e3o, meritocracia no Brasil? Como um poeta mesti\u00e7o da prov\u00edncia teria acesso a pal\u00e1cio? E, se positiva a premissa, haveria interesse de parte a parte? O que poderia oferecer Gon\u00e7alves Dias ao imp\u00e9rio? Por sua vez, o que poderia oferecer Pedro II \u00e0 poesia gon\u00e7alvina?<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de um regresso ao infinito de porqu\u00eas, voltemos ao vertente artigo, um texto que n\u00e3o tem pretens\u00f5es cient\u00edficas ou academicistas, um texto que pretende mais perguntar do que responder. Eis um artigo que pretende, singela e puramente, acender um f\u00f3sforo na gruta das rela\u00e7\u00f5es \u2014 pouco exploradas pelos bi\u00f3grafos \u2014 entre o poeta Gon\u00e7alves Dias e o imperador Pedro II. Da mesma forma que se pesquisa, por exemplo, acerca da amizade curiosa entre os g\u00eanios Albert Einstein e Charlie Chaplin, em cuja casa, em Vevey na Su\u00ed\u00e7a, funciona um museu, no qual h\u00e1 um banheiro de espelhos dedicado \u00e0 amizade entre artista e cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim e ao cabo, este texto faz as vezes de um c\u00f4modo nos castelos biogr\u00e1ficos do poeta e do imperador. Com mais perguntas do que respostas, almeja que os pr\u00f3prios leitores, no corrente S\u00e9culo XXI, concluam algumas daquelas quest\u00f5es que puxam d\u00favidas acerca destas duas personalidades hist\u00f3ricas da mesma gera\u00e7\u00e3o. E que venham os fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro poema de Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Dias tornado p\u00fablico restou por ele declamado em Portugal nas comemora\u00e7\u00f5es da aclama\u00e7\u00e3o de Dom Pedro II como imperador constitucional brasileiro. Respectivamente, tinham 17 e 15 anos de idade. Ent\u00e3o, nenhuma destas duas personalidades da hist\u00f3ria imaginava que se tornariam amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>A festividade aconteceu em 3 de maio de 1841, no per\u00edodo em que o poeta maranhense estudava, com dificuldades financeiras, na Universidade de Coimbra. De l\u00e1, exclamou o brasileiro \u201cPeito que, h\u00e1 pouco frio, agora pulsa\/Fogoso, e se dilata, qual o inc\u00eandio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais versos est\u00e3o publicados no folhetim coimbrense \u201cO Dia\u201d. N\u00e3o foram inclu\u00eddos nos livros do poeta, por\u00e9m marcam dois lan\u00e7amentos: o do alvo e comprido Dom Pedro II como imperador, o mais longevo governante do Brasil; e o do moreno e baixinho Gon\u00e7alves Dias como poeta, o autor de cl\u00e1ssicos como \u201cCan\u00e7\u00e3o do Ex\u00edlio\u201d, \u201cAinda uma vez \u2013 Adeus\u201d, \u201cSeus Olhos\u201d, \u201cI-Juca-Pirama\u201d e \u201cOs Timbiras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das disparidades de ber\u00e7o e complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica, tinham claras afinidades. Foram precoces. Eram intelectuais brasileiros, perfeccionistas. Estudiosos de l\u00ednguas, literatura, hist\u00f3ria e geografia. Conheciam bem o tupi. Eram dedicados ao trabalho e apaixonados por seu pa\u00eds. Em destaque, a curiosidade pela etnografia dos povos pr\u00e9-cabralianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2 de setembro de 1847, por proposta de Ara\u00fajo Porto Alegre, Gon\u00e7alves Dias foi admitido como integrante do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro, o que o aproximou de Pedro II, o qual chegava a distribuir trabalhos de pesquisa aos membros do sodal\u00edcio. Dias era um dos mais ass\u00edduos e ativos membros do instituto.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das miss\u00f5es acad\u00eamicas dadas pelo ainda jovem imperador ao poeta foi pesquisar o estado f\u00edsico, intelectual e moral dos ind\u00edgenas do Brasil, comparativamente, antes e depois da chegada dos europeus. Da\u00ed nascia o primeiro trabalho da etnografia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra oportunidade, Gon\u00e7alves Dias investigou e escreveu, por proposta de Dom Pedro II, acerca de uma lenda antiga da Amaz\u00f4nia: a exist\u00eancia de amazonas no Brasil. Haveria l\u00e1 uma antiga tribo composta exclusivamente por altas guerreiras brancas. Interessante. Por\u00e9m a pesquisa, lida no Instituto na presen\u00e7a de Sua Majestade, concluiu negando veracidade \u00e0 vers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1851, o escritor foi nomeado oficial da Secretaria de Estado dos Neg\u00f3cios da Justi\u00e7a e dos Neg\u00f3cios Interiores, cargo que tamb\u00e9m lhe permitiu manter contato com Pedro II e outros membros do governo imperial.<\/p>\n\n\n\n<p>No tempo em que havia uma proximidade entre os poetas e a popula\u00e7\u00e3o, que lia e recitava versos em p\u00fablico, como hoje se canta uma m\u00fasica, Gon\u00e7alves Dias caiu na gra\u00e7a do imperador, pois trazia, em suas atividades liter\u00e1rias e cient\u00edficas, as origens e as originalidades brasileiras, tanto que recebe a alcunha de Poeta da Ra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor de Can\u00e7\u00e3o do Tamoio, depois de concluir seus estudos em ci\u00eancias jur\u00eddicas na cidade de Coimbra e ap\u00f3s uma breve estada na prov\u00edncia do Maranh\u00e3o, partiu em um vapor chamado Imperador para a Capital, onde passou tamb\u00e9m a trabalhar como um dos redatores da Revista Guanabara. O lan\u00e7amento da revista calhou com o anivers\u00e1rio de Pedro II, oportunidade em que os seus redatores foram levados \u00e0 Quinta de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Era 2 de dezembro de 1849. O monarca j\u00e1 conhecia o trabalho de Gon\u00e7alves Dias como jornalista e escritor aplaudido pela cr\u00edtica. Ao se deparar com o maranhense da cidade de Caxias, o imperador percebeu que era o \u00fanico a n\u00e3o ostentar no peito qualquer condecora\u00e7\u00e3o, um costume da \u00e9poca. Logo em seguida, espontaneamente, concedeu ao poeta o t\u00edtulo de cavaleiro da Ordem da Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outras nuances na rela\u00e7\u00e3o entre o poeta e o imperador. No Rio de Janeiro, Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Dias lecionava latim e hist\u00f3ria no Imperial Col\u00e9gio D. Pedro II. Outra curiosidade \u00e9 que o sogro de Dias, Dr. Cl\u00e1udio Lu\u00eds da Costa, era o m\u00e9dico da imperatriz Maria Leopoldina da \u00c1ustria. Foi diretor do Imperial Instituto de Meninos Cegos at\u00e9 o seu falecimento em 1869, aos 71 anos de idade. O escritor de Sextilhas de Frei Ant\u00e3o tinha uma excelente rela\u00e7\u00e3o com o pai de Ol\u00edmpia, com quem manteve um casamento infeliz. Era rude e possessiva. O rom\u00e2ntico n\u00e3o a amava.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1854, o Poeta Nacional foi o portador de correspond\u00eancias de Dom Pedro II a Portugal. Levou para Lisboa carta destinada \u00e0 Imperatriz Dona Am\u00e9lia de Leuchtenberg, a segunda esposa de Pedro I. Levou tamb\u00e9m carta e livro ao Rei Regente Dom Fernando, pai do futuro Rei Pedro V. Entregou-os pessoalmente em audi\u00eancia, do que deu conta ao monarca brasileiro, em carta datada de 2 de agosto daquele ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 10 de outubro de 1856, Dom Pedro II criou, com entusiasmo, a Comiss\u00e3o Cient\u00edfica de Explora\u00e7\u00e3o, a fim de estudar os recursos das prov\u00edncias do Norte. Gon\u00e7alves Dias foi nomeado como chefe da Se\u00e7\u00e3o de Etnografia e de Narrativa da Viagem. Foi tamb\u00e9m incumbido de escolher e adquirir, na Europa, os instrumentos necess\u00e1rios para as expedi\u00e7\u00f5es, como material fotogr\u00e1fico, p\u00f3lvora, dinam\u00f4metros, fuzis e rem\u00e9dios.<\/p>\n\n\n\n<p>A Il\u00edada americana, Os Timbiras, uma das produ\u00e7\u00f5es mais importantes de Gon\u00e7alves Dias, n\u00e3o por acaso, em outubro de 1857, foi dedicada ao monarca, nos seguintes termos: &#8220;\u00c0 Majestade\/ do muito alto e muito poderoso\/ Pr\u00edncipe e Senhor\/ D. Pedro II\/ Imperador Constitucional e Defensor Perp\u00e9tuo\/ do Brasil\u201d. N\u00e3o era bajula\u00e7\u00e3o: havia reciprocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro II realmente prezava o vate maranhense, a quem mandava livros de presente, como A Confedera\u00e7\u00e3o dos Tamoios, de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es. Os dois inclusive se comunicavam por cartas com certa frequ\u00eancia. Em uma delas, datada de 2 de mar\u00e7o de 1958, Dias divide com o monarca um de seus projetos liter\u00e1rios, no caso, a tradu\u00e7\u00e3o do alem\u00e3o para o portugu\u00eas de poemas de Schiller e Reineke. Em outra carta, de 4 de fevereiro de 1857, lamentou que, por indisponibilidade de tempo, n\u00e3o incluiria o franc\u00eas no seu Dicion\u00e1rio da L\u00edngua Tupi, resignando-se a public\u00e1-lo em portugu\u00eas e no idioma geral dos ind\u00edgenas brasileiros. Na Biblioteca Nacional, h\u00e1 registro de 25 cartas escritas pelo poeta ao imperador.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco se comenta, atualmente, que o soberano perdeu seu filho Pedro Afonso de Bragan\u00e7a. Era o primeiro na linha de sucess\u00e3o ao trono brasileiro. O pr\u00edncipe teve uma febre alt\u00edssima e morreu, prematuramente, com um ano de idade. Obviamente, o monarca, que j\u00e1 havia perdido um outro filho mais velho, ficou dilacerado. Gon\u00e7alves Dias logo escreveu e dedicou ao amigo N\u00eania \u00e0 morte sentid\u00edssima do seren\u00edssimo Pr\u00edncipe Imperial e Senhor Dom Pedro. O poema assim conclui: \u201cUm povo inteiro em torno de um sepulcro,\/ Um v\u00e1cuo ber\u00e7o de seu pranto enchendo!\/ \u00c0 sorte pois te curva, e \u00e0 lei daquele\/ (envolta em seus rec\u00f4nditos des\u00edgnios)\/ A quem aprouve nivelar, cortando\/ Com o mesmo golpe as esperan\u00e7as de ambos, \/ \u2014 A dor de um pai e as afli\u00e7\u00f5es de um povo!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sabedor dos crescentes problemas de sa\u00fade de Gon\u00e7alves Dias, um preocupado Pedro II, ap\u00f3s visit\u00e1-lo, recomendou a um amigo comum que o metesse em um transporte e o levasse para tratamento m\u00e9dico fora do Rio de Janeiro. Para cuidados de sa\u00fade, consta que Dom Pedro II chegou a enviar dinheiro do pr\u00f3prio bolso ao poeta. Dias sofria ent\u00e3o de s\u00edfilis e de tuberculose, al\u00e9m do mal que hoje se denomina de depress\u00e3o. Isto se depreende das correspond\u00eancias trocadas com o melhor amigo Alexandre Te\u00f3filo de Carvalho Leal.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor de Primeiros e Segundos Cantos, no per\u00edodo em que suas obras mais famosas eram vendidas no Brasil e no exterior \u2014 sim, Gon\u00e7alves Dias, tornou-se um escritor internacional ainda em vida \u2014 viajou para a Europa na busca de um tratamento salv\u00e1tico ou de uma despedida do velho mundo. Conseguiu o segundo intento.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo se passa da partida quando chega ao Brasil a impactante not\u00edcia da morte do seu indianista, na Europa. Como\u00e7\u00e3o nacional. Missas f\u00fanebres, artigos e declama\u00e7\u00f5es de despedida. Quando soube da not\u00edcia, Pedro II estava presidindo uma sess\u00e3o do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico. Os trabalhos foram imediatamente suspensos, em demonstra\u00e7\u00e3o de saudade e pesar. Era 24 de junho de 1862.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 3 de agosto, vem a contrainforma\u00e7\u00e3o. Era fake news. O poeta estava vivo e rindo de suas ex\u00e9quias. Outra pessoa, um marinheiro, havia morrido no mesmo navio que levou Gon\u00e7alves Dias \u00e0 Europa. Como o escritor partira enfermo do Rio, ligaram tal falecimento ao poeta brasileiro. De Paris, bem humorado, exclamou em carta a Te\u00f3filo: \u201co fato \u00e9 que entre as singularidades de minha vida terei de mais a mais o prazer singular e esquisito de ler as minhas necrologias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma que Pedro II depois da proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica e do seu ex\u00edlio na Fran\u00e7a, Gon\u00e7alves Dias n\u00e3o voltaria a pisar em solo brasileiro. Os tratamentos de sa\u00fade europeus n\u00e3o surtiram o efeito desejado. Desenganado, retornou para morrer em seu ch\u00e3o. Entretanto, o navio que trazia o escritor naufragou na costa maranhense. Fisicamente debilitado, em 3 de novembro de 1864, o escritor morreu afogado, aos 41 anos de idade. Seu corpo jamais foi encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de uma apar\u00eancia octogen\u00e1ria, Pedro II faleceu com 66 anos, em 5 de dezembro de 1891. Foi enterrado na Fran\u00e7a junto a uma almofada com areia do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem! Os apontamentos hist\u00f3ricos dispostos ao longo do texto, de forma quase coloquial e cronol\u00f3gica, t\u00eam o prop\u00f3sito de descomplicar o emaranhado de quest\u00f5es exordiais, ensejando as respectivas respostas, mesmo que em elipse.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que Gon\u00e7alves Dias foi devidamente acomodado em fun\u00e7\u00f5es no governo que lhe permitiriam \u2014 mesmo doente \u2014 ter alguma tranquilidade para produzir, bem assim pesquisar sobre os povos origin\u00e1rios do pa\u00eds, tem\u00e1tica recorrente em seus escritos cient\u00edficos e po\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o imperador concedeu ao poeta posi\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, Gon\u00e7alves Dias deu ao imp\u00e9rio identidade cultural para al\u00e9m de suas fronteiras, num per\u00edodo em que o Brasil precisava se consolidar como na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a rela\u00e7\u00e3o entre Gon\u00e7alves Dias e Pedro II n\u00e3o se resumia a um pragmatismo pol\u00edtico que aproximava o governo da literatura. Os fatos revelam m\u00fatuo respeito, preocupa\u00e7\u00e3o e acolhimento, o que ratifica ter existido uma amizade concreta, no caso, decorrente de um encontro improv\u00e1vel entre um poeta e um rei.<br>\u00c9 assim, nesse emaranhado de perguntas sobre a amizade entre o poeta e o imperador, que o fato se torna um acontecimento interpretado segundo um contexto cultural, emoldurado no espa\u00e7o deste artigo. \u00c9 assim que chega 10 de agosto de 2023, data em que o Brasil se mobiliza para homenagear o amigo de Pedro II, o maior escritor indianista brasileiro e um dos maiores poetas rom\u00e2nticos de l\u00edngua portuguesa: o maranhense Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Dias.<\/p>\n\n\n\n<p>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA<\/p>\n\n\n\n<p>BANDEIRA, Manuel. Poesia e Vida de Gon\u00e7alves Dias. S\u00e3o Paulo: Editora das Am\u00e9ricas, 1962.<\/p>\n\n\n\n<p>DIAS, Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves. Poesia Completa e Prosa Escolhida, Rio de Janeiro, Editora Jos\u00e9 Aguilar Ltda., 1959.<\/p>\n\n\n\n<p>MONTELLO, Josu\u00e9. Gon\u00e7alves Dias: ensaio biobibliogr\u00e1fico. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>MORAES, Jomar. Gon\u00e7alves Dias: vida e obra. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>PEREIRA, L\u00facia Miguel. A vida de Gon\u00e7alves Dias. Brasilia: Senado Federal, 2017.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Blume, Cadeira n. 15 da Academia Maranhense de Letras Em um primeiro passar de olhos, o texto pode parecer estranho. Afinal, por que falar da rela\u00e7\u00e3o entre Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Dias e Dom Pedro II? O que tem a ver um poeta rom\u00e2ntico com um monarca sul-americano? Conv\u00e9m misturar governo imperial com literatura brasileira? S\u00e3o&hellip;&nbsp;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"neve_meta_sidebar":"","neve_meta_container":"","neve_meta_enable_content_width":"","neve_meta_content_width":0,"neve_meta_title_alignment":"","neve_meta_author_avatar":"","neve_post_elements_order":"","neve_meta_disable_header":"","neve_meta_disable_footer":"","neve_meta_disable_title":"","footnotes":""},"categories":[214],"tags":[],"categorias":[],"class_list":["post-6133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6133"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6135,"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6133\/revisions\/6135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6133"},{"taxonomy":"categorias","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiamaranhense.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categorias?post=6133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}